PT | EN
PT | EN

Mensagem do Presidente

 

Que espaço ocupa a música, em geral, nas nossas vidas? E a música erudita, em particular? Sabendo que há múltiplas possibilidade de resposta a estas perguntas, ouso afirmar que a música enquanto produto massificado da indústria discográfica ocupa um enorme espaço nas sociedades ocidentais (na rádio, na televisão, nas redes sociais, etc.) – o que não significa que o mesmo aconteça com a música enquanto objeto artístico e, muito menos ainda, com a música erudita.

O direito individual e coletivo de acesso aos bens artísticos está consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos (de 1948), tendo ainda sido transposto, em 1989, para a Convenção sobre os Direitos Criança. Por isso, sublinho: apesar de não exercida por todos – e, no meu entender, de tal não resultar sempre de escolhas informadas –, a usufruição da música erudita integra aquele direito universal inalienável. No entanto, para o poder exercer, os indivíduos têm de estabelecer com o objeto a que ele se refere uma relação suficientemente próxima para o poderem reclamar como seu: ninguém pode reivindicar ou amar o que desconhece.

A missão da Orquestra Clássica do Sul, tem, entre outros objetivos, o dever de «fomentar, valorizar e promover a música erudita, bem como o seu cruzamento com outras expressões artísticas», conforme estipulado nos seus estatutos. Ora, uma grande parte das pessoas, em Portugal, ainda tem uma relação distante ou até inexistente com a música erudita. Isso é sobretudo fruto de, para além do incremento da formação musical ministrada no âmbito do ensino articulado, a escola pública e as políticas a ela associadas não terem levado suficientemente a sério um dos desígnios mais nobres da Educação pelas Artes. De facto, conforme defendido pela UNESCO, a escola pública deveria proporcionar o contacto intenso e sistemático com o património cultural e artístico (de que a música erudita faz parte), com vista a criar elevados níveis de familiaridade que permitam a construção do gosto autónomo e informado.

Por isso me regozijo com o facto de, a par da sua programação musical cuidada, a Orquestra Clássica do Sul integrar ainda uma forte dimensão pedagógica e educativa nas suas atividades, por um lado, a procura ativa de novos públicos (na perspetiva de ir a montanha a Maomé), por outro, e, finalmente, um Coro Participativo que representa um modo muito feliz de ligação à comunidade e aos amantes da música erudita.

Por tudo o que ficou dito, gostaria que o mandato que agora início servisse para, em estreita colaboração com a sua estrutura interna bem consolidada, ajudar a Orquestra Clássica do Sul a:

- Aprofundar ainda mais a identidade do seu repertório, projetando-a nas suas dimensões regional, nacional e internacional;

- Intensificar a sua componente pedagógica e educativa e a ligação às comunidades;

- Alargar a procura de públicos, em condições de audição e participação que não ponham em causa a qualidade musical.

Regresso ao início: que espaço ocupa a música erudita nas nossas vidas? Na minha preenche, desde tenra idade, um tão importante que só por si justifica a enorme alegria com que me dedicarei à exigente tarefa de contribuir para que ela possa chegar, em excelentes condições, ao maior número possível de pessoas.

 

António Branco

Presidente da Direção

FILIPE RAPOSO - CONCERTO PARA PIANO E ORQUESTRA | Loulé

20/08
Loulé
Cineteatro Louletano
21h30

saber mais

ORQUESTRA CLÁSSICA DO SUL & DINO D'SANTIAGO | Quarteira

13/08
Quarteira
Passeio das Dunas
22h00

saber mais

Se deseja receber notícias sobre futuros eventos, subscreva a nossa newsletter

Morada
Rua João Brito Vargas
Casa das Figuras
8005-145 Faro
Siga-nos